Há uma doutrina na religiosidade ordenando que para servir ao Senhor e alcançar a eternidade, se faz necessário guardar o quarto mandamento que se refere ao sábado, isto é, cessar toda atividade profissional e pessoal, não exercendo nenhum serviço desde o pôr do sol de sexta-feira até o pôr do sol do sábado, ou seja descansar de todo compromisso que envolva atividade física, mas somente adorar ao Senhor.

A palavra descanso em hebraico é SHABATH, e em Grego é ANAPAUSSIN, que também significa REFRIGÉRIO. Vamos meditar na Palavra que discorre sobre a santificação do sábado pelo Senhor antes da lei, a ordenança para guardar o sábado pela lei, e o sábado no tempo da graça.

Mas para ser sincero é um tópico que não gosto muito de abordar, pois, geralmente os maiores interessados no assunto são da religião que trazem consigo o conceito da santificação do sábado, e sempre somos interrogados, na maioria das vezes não buscam uma afirmativa fundamentada na bíblia, querem apenas uma concordância que o sábado não foi abolido e deve ser venerado, ainda que estejamos no tempo da graça.

Entretanto, quando lhes respondemos conforme a verdade do Senhor, é o suficiente para acabar a comunhão conosco, e o assunto passa a gerar contenda, porque eles têm o sábado como fundamento essencial a salvação, deixando em segundo plano o sacrifício do Senhor Jesus para libertar o homem do pecado e da morte. Mas vamos para as referências bíblicas:

Gênesis 2.2, 3, descreve que, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.

Em Êxodo 20.7-11, o sábado foi santificado, como mandamentos do Senhor.

A SANTIFICAÇÃO DO SÁBADO PELA LEI

Levítico capítulo 23: As três festas solenes do Senhor. Ordenança do sábado pela lei, observe:

Levítico 23.1-3: A festa do sábado: Falou o Senhor a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: As solenidades do Senhor, que convocareis, serão santas convocações; estas são as minhas solenidades: Seis dias obra se fará, mas o sétimo dia será o sábado do descanso, santa convocação; nenhuma obra fareis; sábado do Senhor é em todas as vossas habitações.

Levítico 23.4-8: Relata a convocação do Senhor para a festa da páscoa e a partir do versículo 5 do capítulo 23 de Levítico, refere-se a festa das primícias.

O ANO SÁBATICO

No livro de Levítico 25.1-7, a palavra do Senhor recomenda o ano sabático, medite: Falou mais o Senhor a Moisés no monte Sinai, dizendo:

Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando tiverdes entrado na terra, que eu vos dou, então, a terra guardará um sábado ao Senhor.

Seis anos semearás a tua terra, e seis anos podarás a tua vinha, e colherás a sua novidade. Porém, ao sétimo ano, haverá sábado de descanso para a terra, um sábado ao Senhor. Não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha. O que nascer de si mesmo da tua sega não segarás e as uvas da tua vide não tratada não vindimarás; ano de descanso será para a terra.

Mas a novidade do sábado da terra vos será por alimento, a ti, e ao teu servo, e à tua serva, e ao teu jornaleiro, e ao estrangeiro que peregrina contigo; e ao teu gado, e aos teus animais que estão na tua terra, toda a sua novidade será por mantimento.

Então perguntamos aos irmãos, e hoje, os agricultores que guardam o sábado, estão acatando essa ordenança do Senhor para conservarem o ano sabático? Esta ordenança está dentro do mesmo contexto que ordena a guardar o sábado.

O SOFRIMENTO DO SENHOR COM AS FESTAS SOLENES

O capítulo 1.11-14 do livro de Isaias, narra a sua visão profética, e a exortação do Senhor ao povo de Israel, considerando-os como Sodomitas, dado a iniqüidade daquele povo, medite:

Ouvi a palavra do Senhor, vós príncipes de Sodoma; prestai ouvidos à lei de nosso Deus, vós, ó povo de Gomorra.

De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o Senhor? Já estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais nédios; e não me alegro com o sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes.

Quando vindes para comparecerdes perante mim, quem requereu isso de vossas mãos, que viésseis pisar os meus átrios? Não tragais mais ofertas debalde; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, e os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo o ajuntamento solene. As vossas Festas da Lua Nova, e as vossas solenidades, as aborrece a minha alma; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer.

O SÁBADO NO NOVO TESTAMENTO

Quanto a ordenança do sábado no Novo Testamento, não há um só versículo confirmando que devemos guardá-lo. Observamos que Jesus permitiu aos seus discípulos colher espigas no sábado (Mateus cap. 12), e quando censurado pelos judeus pela iniciativa dos seus, lhes respondeu que o sábado foi criado por causa do homem, e não o homem em razão do sábado, e os lembrou também que acima do sábado está a autoridade do Filho de Deus, porque Ele é o Senhor do sábado e de tudo que existe.

E o Evangelho de João 5.18 relata que os judeus procuravam matar a Jesus porque Ele não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.

QUEBRANTAR: Abater, debilitar, subjugar, sucumbir, tornar mais fraco, desobedecer (costumes e deveres).

Só esta afirmativa citada em João 5.18, aniquila o sábado e não deixa a menor sombra de dúvida que não devemos guardá-lo.

Muitos resistem, afirmando que o sábado é santo porque a ordenança para guardá-lo veio antes da lei. Realmente Deus assim ordenou, como também antes da lei foi ordenado a circuncisão, a oferta em holocausto e o dízimo, mas como podemos observar no início do nosso texto, posteriormente, a reverência ao sábado foi instituída sob preceito e por força da lei, através de profeta Moisés ao povo judeu.

Mas o forte argumento dos adeptos do sábado, sustém na Palavra do Senhor Jesus, o qual afirmou que não veio abolir a lei, mas veio para cumpri-la. Então vamos conhecer o que significa essa afirmativa expressa pelo nosso Salvador:

Mateus 5.17,18: Disse Jesus: Não cuideis que vim abolir a lei e os profetas, mas vim para cumpri-la, e, nem um jota ou til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.

Jesus era um judeu, nascido sob a lei (Gálatas 4.4). Portanto, viveu Jesus na tutela da lei de Moisés, reconheceu-a, e disse dessa forma, pela responsabilidade de cumprir a lei.

E verdadeiramente Ele cumpriu a lei. Foi circuncidado aos oito dias, foi apresentado na sinagoga (Lucas 2. 21-24), assumiu o seu sacerdócio aos trinta anos (Lucas 3.23, Números 4.43, 47), curou o leproso e depois o mandou apresentar ao Sacerdote a oferta que Moisés ordenou (Mateus 8.4, Levíticos 14.1...), e certamente cumpriu outras formalidades cerimoniais da lei.

Porém, quando Cristo rendeu o seu espírito a Deus (Mateus 27.50,51), o véu do templo rasgou-se de alto a baixo, então passamos a viver pela sua graça, encerrando-se ali, toda ordenança da lei de Moisés, sendo abolido o Antigo e introduzido o Novo Testamento, o Evangelho da salvação, pela aspersão do sangue do Cordeiro de Deus.

Mesmo assim, muitos ainda dirão que a veneração ao sábado não veio por ordenança da lei, mas por mandamento do Senhor Deus, os quais foram mantidos no Novo Testamento. Então considere a Palavra:

I Coríntios 3.13, 14: Não somos como Moisés, que punha um véu sobre a sua face, para que os filhos de Israel não olhassem firmemente para o fim daquilo que era transitório. Mas os seus sentidos foram endurecidos; porque até hoje o mesmo véu está por levantar na lição do Velho Testamento, o qual foi por Cristo abolido.

O que também está legitimamente ratificado na carta aos Efésios 2.15, onde descreve: Cristo, na sua carne, desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e, pela cruz, reconciliar ambos com Deus em um corpo.

E o Evangelho de Mateus 22.35-40, narra que um doutor da lei, interrogou Jesus para o experimentar, dizendo:

Mestre, qual é o grande mandamento da lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.

Observe que no princípio ordenou o Senhor a Moisés, apresentar dez mandamentos que deveriam ser guardados pelo seu povo, sendo os cinco primeiros mandamentos de reverência e amor ao Supremo Criador, entre os quais, constava o mandamento de santificação ao sábado.

E do sexto ao décimo mandamento, fora designado como amor ao próximo (Êxodo capítulo 20).

Porem, no Novo Testamento, dos dez mandamentos, o Senhor os resumiu em dois, e os aperfeiçoou em sua essência. Sendo assim, os cinco primeiros mandamentos designado para reverenciar ao Pai, foram abreviados em poucas, mas essenciais Palavras: Amar a Deus acima de todas as coisas. Semelhante o amor ao próximo (do sexto ao décimo) Ele ordenou: Amarás o teu próximo como a si mesmo; e ainda afirmou que desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.

Em Marcos 12.31 "b", Jesus afirmou que não há outro mandamento maior do que esses, e em Lucas 10.25-28, Ele assegurou que apenas e tão somente por esses dois mandamentos, alcançaremos a salvação para a vida eterna. Mas sobre a reverência ao sábado no Novo Testamento, Jesus nunca mencionou nada.

E não se deve reverenciar e nem se preocupar em guardar o sábado, sobre o qual, não há ordenança para guardá-lo na Nova Aliança, mas lembre-se das Palavras do Senhor Jesus em Lucas 10.25-28, onde disse: Fazei isso e viverás, ou seja, amarás o Senhor teu Deus acima de todas as coisas e ao próximo com a si mesmo.

Portanto, vincular a santificação do sábado em nome de uma lei abolida, como regra de doutrina essencial a salvação, é anular o sacrifício da cruz e reconstruir o muro de separação, pelo Cordeiro de Deus, derrubado (Efésio 2.15-17).

Louvai a Jesus

Irmão Carvalho

Última atualização ( Qui, 17 de Outubro de 2013 16:43 )