Portanto, deixará o homem seu pai e sua mãe e unir-se-á à sua mulher, tornando-se os dois, uma só carne. (Gêneses 2: 24).


Formalmente, define-se casamento como um ato solene de união entre duas pessoas do sexo oposto, capazes e habilitadas; com legitimação religiosa e/ou civil constituindo o matrimônio ou enlace matrimonial.

Mas do ponto de vista bíblico, agrega-se a esse conceito, o fato de que tal união é um fator preponderante para o surgimento da primeira instituição divina com responsabilidade delegada ao homem: A família.

E Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a... (Gêneses 1.28).

Uma vez consumada a união entre um homem e uma mulher, por comunhão social e legal, debaixo da benção de Deus; cabe ao casal cumprir o propósito, que desde o início foi estabelecido pelo criador: Formar e manter o zelo pela sua família; não segundo os padrões do mundo, mas segundo a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Sua missão, entre outras, é principalmente promover a boa formação dos tesouros de Deus: os filhos, a maravilhosa herança do Senhor; para que desde o menor até o maior, todos reconheçam a sua soberania e saibam que Ele é Deus, e não há outro além dele, e que também não existe outro nome pelo qual devamos ser salvos, senão o nome de Jesus Cristo, seu filho.

Sendo assim, a principal característica desta união, sem dúvida, é a indissolubilidade, ou seja, o casamento deve possuir um caráter permanente; deve adotar o perfil de uma aliança que só poderá ser dissolvida por ocasião da morte de um dos cônjuges (Romanos 7.2, 3).

Até mesmo o divorcio, que segundo a lei de Moisés foi permitido por causa da dureza do coração do homem, é algo que, certamente, nunca esteve no coração de Deus. Eis o que Jesus falou a respeito: Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim. (Mateus 19.8).

Quando Deus é entronizado no meio da família e seus membros são libertos pela verdade, que é Cristo, seja quais forem os fatores circunstanciais que sobrevierem a ela, isto não abalará sua estrutura, pois tem sua casa edificada sobre a rocha. E então desce a chuva, e correm os rios, e assopram ventos, e combatem conta a casa e ela não cai, mas continua cada vez mais firme e exercitada na fé. (Mateus 7.25).

Entretanto, a bíblia diz: ... a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice... (Gêneses 8.21), porque desde o princípio a deslealdade do homem para com Deus e, consequentemente para com o seu próximo, incluindo esposo, esposa, filhos e filhas, tem sido vista pelo Criador como ato de abominação diante de seus olhos.

Por intermédio do profeta Malaquias, Deus exortou severamente os sacerdotes que profanavam o seu nome com suas práticas impuras e desprezíveis:

Ainda fazeis isto: cobris o altar do Senhor de lágrimas, de choros e de gemidos; de sorte que Ele não olha mais para a oferta, nem a aceitará com prazer da vossa mão.

E dizeis: Por quê? Porque o Senhor foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher do teu concerto.

E não fez Ele somente um, sobejando-lhe espírito? E por que somente um? Ele buscava uma semente de piedosos; portanto, guardai-vos em vosso espírito, e ninguém seja desleal para com a mulher da sua mocidade. (Malaquias 2.13-15).

Da mesma forma que aconteceu no passado, hoje também, a deslealdade dos seres humanos tem gerado famílias totalmente destruídas por causa do pecado. Pais que desconhecem seus reais papéis dentro do lar; mães ocupando posições bem diferentes daquela para a qual Deus a tornou mulher e mãe; e filhos que não conhecem a Deus e por isso não compreendem o significado de obediência, respeito e honra para com os seus progenitores.

Vemos famílias (se é que podemos considerar assim), onde a discórdia e a contenda predominam; onde o amor entre os seus membros nunca existiu, e onde o temor a Deus não é visto como o princípio da sabedoria. Cada um buscando os seus próprios interesses; sem nenhuma compaixão e afeição natural, vivendo como amantes de si mesmo, rumo ao precipício.

E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele. (Gêneses 2.18).

Observe que o Senhor prometeu ao homem uma mulher ajudadora e não uma atrapalhadora. E onde está essa ajudadora? Uma boa parte dos homens sentem-se sozinhos, mesmo aqueles que parecem ter uma companheira ao seu lado, pois esta, por não conhecer o seu papel como esposa, já não pode ser chamada de ajudadora segundo o que Deus idealizou, o que para o homem não é nada bom.

E onde está aquele que é cabeça da mulher? Vemos mulheres sem direção, desprotegidas e totalmente desamparadas por seus maridos, que de Cristo, a cabeça da igreja, não tem nenhuma característica!

Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo (Efésios 5.23).

Onde estão os tesouros de Deus? O fruto do ventre; o galardão do Senhor? Não é raro ouvirmos noticias de jornais relatando casos de crimes bárbaros, onde os filhos são os assassinos dos próprios pais, em cujo coração só habita o ódio e o rancor.

Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão (Salmos 127.3.

É certo que, o que Deus ajuntou o homem não separa, entretanto, muitos dos ajuntamentos são realizados à revelia de Deus, ou seja, não foi Deus quem ajuntou, mas o homem, movido pelas paixões da carne e por seus desejos desenfreados e pensamentos pecaminosos, agindo como verdadeiros filhos da ira, edificando casas (famílias) sobre a areia, já fadadas ao fracasso. Na primeira tempestade, elas desabam, e com elas o pai, a mãe, os filhos e todos que ali habitar.

Diante deste cenário desastroso, cabe aqui algumas recomendações:

Para quem começou certo e ama a Deus, a Palavra é de alerta: Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós, saiba possuir o seu vaso com santidade e honra; não na paixão de concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus (I Tessalonicenses 4.3-5).

A vontade de Deus é a santificação dos seus servos em todo o tempo, inclusive no momento da intimidade conjugal, onde a integridade e santificação precisam ser mantidas, onde o lugar do Espírito Santo em nossos corações deve ser conservado. Não devemos esquecer que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, e que não somos de nós mesmos.

Para os que começaram suas vidas matrimoniais sem a direção do Senhor, a palavra é de admoestação: Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto (Isaias 55.6).

Ainda há tempo, porque o Senhor é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração (Salmos 100.5). Assim como está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões (Salmos 103.12.

Quanto aos verdadeiramente solteiros, que ainda não constituíram família? Como se portar diante de um mundo corrompido pelo pecado, repleto de toda sorte de malícia?

A palavra adverte: Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão (I Timóteo 6.11).

E ainda em II Timóteo 2.22 diz: Foge também das paixões da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam ao Senhor.

OS DEVERES DOS CASAIS CRISTÃOS

Na carta aos Efésios 5. 24 a 28 a Palavra do Senhor assegura: De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seu marido. Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.

Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela Palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim devem os maridos amar a sua própria mulher como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo.

E na carta Universal de I Pedro 3.1-12, diz: Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas ao vosso próprio marido, para que também, se algum não obedece à palavra, pelo procedimento de sua mulher seja ganho sem palavra. Considerando a vossa vida casta, em temor.

O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura de vestes. Mas o homem encoberto no coração, no incorruptível trajo de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus. Porque assim se adornavam também antigamente as santas mulheres que esperavam em Deus e estavam sujeitas ao seu próprio marido.

Como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor, da qual vós sois filhas, fazendo o bem e não temendo nenhum espanto. Igualmente vós, maridos, coabitai com ela com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações.

E, finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, amando os irmãos, entranhavelmente misericordiosos e afáveis. Não tornando mal por mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, sabendo que para isto fostes chamados, para que, por herança, alcanceis a bênção.

Porque quem quer amar a vida e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano; aparte-se do mal e faça o bem; busque a paz e siga-a.

Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos, atentos às suas orações; mas o rosto do Senhor é contra os que fazem males.

O manual de Deus tem resposta e orientação para todas as coisas, resta-nos segui-lo fielmente.

Irmão Carvalho