Consta na bíblia um princípio que quando observado, muito agrada o coração do Criador: o princípio da obediência dos filhos aos pais, coisa que nos dias atuais não é tão comum identificarmos no seio de uma boa parte das famílias.


As figuras paternas e maternas já não são vistas como outrora, onde o respeito dos filhos para com seus pais era nitidamente notado por todos os que conviviam em uma casa; e também pelos de fora, que por diferentes motivos tinham alguma aproximação com os membros da família.

É notório que o comportamento das famílias tem mudado radicalmente ao longo dos anos, mas também são visíveis, as graves consequências que as mesmas têm sofrido em decorrências de tais mudanças. O que antes era tido como certo, hoje passou a ser o errado, e vice-versa; a ignorância com relação à sabedoria divina aplicada à família é tão grande que, no final das contas, quem sofre mais são os seus próprios membros.

 Alguém já parou pra pensar como seria o mundo se tudo fosse diferente? Se os filhos vissem nos pais um referencial vindo de Deus e se submetessem às suas instruções e conselhos?

Há um texto bíblico que diz:  Filho meu, ouve o ensino do teu pai e não deixes a instrução de tua mãe. Porque serão diadema de graça para a tua cabeça e colares, para o teu pescoço (Provérbios 1.8, 9).

Inúmeros são os benefícios que um filho obediente e temente a Deus consegue alcançar nesta terra; e por causa de sua obediência, estes benefícios se estendem também a vários outros, contribuindo até mesmo para uma sociedade mais terna e justa.

Não foi por acaso que o apóstolo Paulo demonstrou seu cuidado e zelo para com a atitude dos filhos em relação aos pais, quando escreveu: Filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo  (Efésios 6.1).

Quando os filhos abraçam este princípio bíblico, tornam-se sábios e prudentes, pois na maioria das vezes, o caminho que começam a trilhar, seus pais já percorreram, e certamente têm muito a ensiná-los a respeito do que poderão encontrar na trajetória; a forma como lidar com as adversidades da vida ou até mesmo, como tentar evitar algumas delas.

Quando os filhos são submissos àqueles que Deus lhes deu como preceptores ou aios, fazem o que é justo diante de Deus e com isso, agradam o seu coração, pois a obediência aos pais reflete na vida dos filhos, a prática do que é justo, perante aquele que é a própria justiça.

A bíblia também afirma que o mandamento da obediência aos pais foi o primeiro a ser estabelecido seguido de uma promessa: Honra a teu pai e a tua mãe, como o Senhor teu Deus te ordenou, para que se prolonguem os teus dias, e para que te vá bem, na terra que te dá o Senhor teu Deus (Deuteronômio 5.16).

Todas as vezes que um filho honra ao seu pai e à sua mãe e os obedecem, alcança o favor do Senhor, e seus dias são prolongados na terra. No mundo de hoje, não é pequeno o número de filhos que morrem em idade tenra e se vão muito antes dos pais, por não agirem sabiamente diante de Deus; se expondo a situações de risco, contrariando a vontade de seus pais e do Senhor.

Mas os filhos que cumprem este precioso mandamento do Altíssimo, demonstram que conhecem verdadeiramente o Pai, pois esta genuína submissão, só é possível quando nos tornamos filhos de Deus, gerados pela fé em Jesus Cristo, seu primogênito, o qual  foi obediente até a morte, e morte de cruz.... Eu vos escrevi filhos, porque conhecestes o Pai. I João 2: 13c.

Se observarmos a vida de Jesus, vamos perceber que a obediência dos filhos aos pais descrita na bíblia é aquela que independe da plena satisfação do filho no momento de cumprir as ordens que lhes foram dadas, ou seja, nem tudo o que seus pais lhes pedirem para fazer parecerá bom e agradável aos seus olhos, algumas vezes tal obediência irá requerer uma renuncia por parte dos filhos em relação a si mesmos, mas seu coração deverá estar totalmente disponível para agradar o coração dos pais.

Vemos isso claramente nas palavras do nosso mestre Jesus:  ... Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua  (Lucas 22.42).

E disse ainda: ... porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou (Leia João 5.30).

Mas há algo bem interessante que precisamos frisar com relação a este assunto: Considerando que nem todos os pais são tementes a Deus e que muitos são capazes de delegar responsabilidades absurdas aos filhos, e até contrárias à vontade de Deus, esta verdade inicialmente parece bastante complexa para alguns, especialmente da forma como está escrita em colossenses 3.20: Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Isto parece não se aplicar a todos os casos, mas a verdade é que a Palavra doutrinária não é direcionada ao ímpio, mas ao servo fiel que faz a vontade do Pai que está no Céu.

Ora, já de antemão sabemos que os textos da bíblia não podem ser analisados separadamente, além de estudarmos o contexto, precisamos saber que há versículos que complementam outros, o exemplo disso está em Efésios 6.1: Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.

Isto quer dizer que enquanto a obediência aos pais não contraria a obediência para com Deus, os filhos deverão obedecê-los em tudo, independente dos pais serem cristãos ou não. Mas a partir do momento em que o ato de obedecer passa a entrar em conflito com os princípios de Deus e da sua Palavra, o melhor é manter a mesma postura de Pedro e dos apóstolos quando proibidos pelas autoridades de pregarem o evangelho de Jesus Cristo. Disseram eles:  ... mais importa obedecer a Deus do que aos homens  (Atos 5:29).

Portanto, sejamos sábios, e mantemo-nos em comunhão com o Pai; diante de cada situação, o Espírito Santo de Deus certamente nos dará a direção e a orientação exata para procedermos de acordo com a sua vontade.

Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade (I João 3.18).  

 

Amém.

Irmão Carvalho